Existe prazer na tristeza?

Ananda, pela cultura védica, embora pareça felicidade suprema, paradisíaca, tem como conceito viver um estado de grande intensidade. Um brilho da mente por vivenciar um estado profundo. Esta intensidade não vem necessariamente da felicidade. Em situações de catástrofe, por exemplo, as pessoas são levadas ao estado de Ananda.

Se você pesquisar agora “Ananda” no Google, provavelmente vai concluir, que é um prazer, um senso de paz e felicidade. Porém, no estado iluminado de Ananda, não existe definição do que é ou não prazer. Ananda é viver algo no auge de sua intensidade a ponto de expandir os limites do espaço/tempo.

Uma experiência que leve sua mente ao todo, ao momento em que se vive. Uma relação sexual com entrega completa pode ser um estado de Ananda. Como também uma meditação profunda. Porém, catástrofes também trazem a característica de Ananda. Uma separação não prevista, uma perda inesperada pode nos levar a este estado. Uma consciência distinta; sensibilidade e interpretação diferenciada da realidade.

Uma tarde neste estado passa em outro padrão de tempo. Muitas vezes o tempo desacelera, poucos segundos parecem horas extensas, um toque leve é sentido como um empurrão, a percepção sensorial permite uma nova leitura do ambiente. Durante um assalto entramos em estado de Ananda, onde não importa o futuro, e pouco também o passado, o tempo quase para e dez segundos parecem uma eternidade. Neurotransmissores e hormônios nos levam a estas estranhas ativações. Quando uma felicidade é a causa, em geral existem insights e produtividade. Quando o causador do Ananda, não é a felicidade em geral, temos o costume de nos entregar e estagnar, alguns não saem da cama.

É tempo de aproveitar, produzir, escrever, compor ou tocar. Grandes escritores aproveitam deste estado para compor obras geniais, outros somente neste estado se consideram brilhantes.

Se você por qualquer motivo, gostando ou não, vive algo na sua maior intensidade e encontra-se no Ananda; desfrute, aceite, reconheça e mergulhe na suas qualidades, afinal, a única certeza é que vai passar.  

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