A maca peruana

A maca (Lepidium meyenii)  originalmente cresce nos Andes centrais do Peru, acima de 4000 metros de altitude, onde é cultivada há mais de 2000 anos.

Hoje seu uso vem crescendo no mercado e fiquei curioso para testar seus efeitos. Confesso que tomei de forma desregrada e a maca em pó. Mas fiz um bom levantamento da literatura e vamos a um breve resumo.

Indicações no mercado: Hoje em dia,  é fácil ver a propaganda da maca para muita coisa. Até para levantar cachorro morto, seu efeito mais chamativo seria para função sexual de homens e mulheres. Anti inflamatório, anti cancer ou anti idade, aumenta fertilidade, combate aos sintomas da menopoausa.

O que é comprovado: Na grande maioria dos estudos, não foi evidenciado nenhuma alteração hormonal com uso da Maca. Os níveis de hormônios como FSH, LH, Testosterona e estradiol não subiu em nenhum dos estudos grandes ou revisões.

Alguns estudos realmente demonstraram um aumento na contagem de espermatozoides no epidídimo, mas ainda não se sabe o mecanismo desta ação.

O seu uso como energético natural não foi muito convincente, embora os estudos em humanos mostrem um efeito favorável do uso de maca para resistência física, os aumentos são modestos.

Os perigos: A maca mostrou pouca toxicidade, porém em poucos  estudos um componente possivelmente tóxico foi isolado e identificado. Estudos mostram que a maca negra tem melhores efeitos na contagem de espermatozóides, memória e aprendizagem, controle glicêmico e resistência física, enquanto a maca vermelha tem efeitos sobre a hiperplasia benigna da próstata e osteoporose; no entanto, existem muitas outras variedades que ainda precisam ser avaliadas. É difícil especificar um mecanismo de ação para as propriedades da maca; os estudos parecem mostrar que o efeito não é através de alterações hormonais, mas sim pós-receptor ou seja, ela mesma pareceria um hormônio e agiria ao invés de estimular os hormônios.  Limitações:  Ainda não se sabe qual ativo da Maca é a fração de sucesso e qual ativo poderia ser tóxico. A demanda interna e externa de maca continua a aumentar, no entanto, há preocupação principalmente no mercado europeu sobre o teor de alcalóides da maca e um efeito negativo sobre a saúde. Por isso, é extremamente importante e altamente relevante para o país desenvolver estudos onde as frações possam ser avaliadas com alcalóides e sem alcalóides da maca que permitam saber em qual deles está a atividade biológica da maca. Também é importante desenvolver ensaios clínicos que permitam verificar em humanos as propriedades biológicas da maca observadas em estudos experimentais. um

Até treze variedades foram descritas, variando do branco ao preto, variedades como o preto e o vermelho têm sido estudadas, as quais mostraram propriedades diferentes.

O preparo literalmente  “roots”: A raiz de maca era cozida, assada, fermentada como uma bebida e transformada em mingau. Nos últimos vinte anos, a maca foi introduzida no mercado global e a demanda cresceu drasticamente ao longo deste tempo com sua promoção na internet, como o “Ginseng peruano” para o aumento da libido e da fertilidade. Promessa também na resolução dos sintomas da menopausa, disfunção erétil e hiperplasia benigna da próstata. A demanda tem sido um estimulo para uma mudança dos métodos tradicionais de cultivo para as práticas de produção em massa com o uso de fertilizantes e também de pesticidas.  A maca agora é cultivada em outras áreas além dos Andes, na província de Yunnan, na China. Isso pode afetar potencialmente a fitoquímica e composição da planta e, assim, a qualidade, segurança e eficácia dos produtos de maca.

Enquanto isso, a pesquisa sobre as propriedades medicinais da maca acompanhou o aumento da popularidade da maca e foi focada principalmente nas propriedades afrodisíacas e de melhoramento da fertilidade da maca. Até agora, os estudos in vivo e ensaios clínicos conduzidos produziram resultados inconclusivos. Algumas das principais limitações residem na metodologia e no tamanho da amostra. O perfil químico levou à descoberta de novos compostos exclusivos da maca, tais como ‘macamides’ e também outros metabólitos ativos como os glucosinolatos; aos quais os efeitos medicinais da maca foram atribuídos mas não podem ser confirmados devido à falta de dados.

Conclusões: Até agora a Maca se monstrou um sutil energético, uma razoável ajuda aos espermatozoides, nenhuma ação bioquímica nos hormônios, porém uma melhora psicológica nos casos de sintomas de menopausa, (melhora na ansiedade e depressão), porém enquanto aguardamos mais estudos uma ciência pessoal é bem vinda, desde que tome se muito cuidado, de onde vem sua Maca? Qual processo de produção? Qual será a forma de preparo? Qual tipo de maca? E ficaremos muito ligados com as pesquisas referentes a sua toxicidade. Por enquanto, só sei que nada sei.

 

REFERÊNCIAS:

– Maca polysaccharides: A review of compositions, isolation, therapeutics and prospects, Int J Biol Macromol. 2018 May;111:894-902.

 – Maca (Lepidium meyenii Walp), a review of its biological properties, Gustavo F. Gonzales, Rev Peru Med Exp Salud Publica. 2014;31(1):100-10

– The use of maca (Lepidium meyenii) to improve semen quality: A systematic review, Lee, Maturitas. 2016 Oct;92:64-69.

Bioactive Compounds from Plants Used in Peruvian Traditional Medicine, Lock O, Nat Prod Commun. 2016 Mar;11(3):315-37.

Is the hype around the reproductive health claims of maca (Lepidium meyenii Walp.) justified? Beharry S1, J Ethnopharmacol. 2018 Jan 30;211:126-170.

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